Por Débora de Andrade Rodrigues* No atual contexto de agravamento das mudanças climáticas, o Brasil lançou o Plano Clima, instrumento orientador de ações nacionais até 2035. O Plano constitui um elemento central para execução da Política Nacional sobre Mudanças do Clima (PNMC) , estabelecendo diretrizes que articulam políticas públicas voltadas à mitigação e à adaptação. Além disso, está estruturado em três eixos complementares: mitigação, adaptação e estratégias transversais. A iniciativa reconhece ainda a distribuição desigual dos impactos climáticos. Ou seja, parte do princípio que seus efeitos tendem a afetar mais severamente populações em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O que são as mudanças climáticas? As mudanças climáticas são as alterações nos padrões climáticos ao longo do tempo. Embora possam ocorrer naturalmente, nas últimas décadas a ação humana tem sido um dos principais fatores responsáveis por essas transformações. Atividades ligadas à queima de combustíveis fósseis, como petróleo, estão entre as principais emissoras dos chamados Gases de Efeito Estufa (GEE). Ao serem lançados na atmosfera, são eles os responsáveis por alterar o clima. Outras ações como o desmatamento de terras, lixo em aterros e processos industriais poluidores também colaboram na aceleração desse processo. O resultado é um clima mais instável e o aumento de eventos extremos, como secas, enchentes, furacões e incêndios. Evidências científicas reforçam a urgência do enfrentamento dessa crise. Relatórios das Nações Unidas (ONU) indicam que as mudanças climáticas exigem respostas imediatas e estruturadas. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta que, em 2023, os níveis de emissões de GEE atingiram novos patamares. Naquele ano, houve quebra de recordes em indicadores climáticos. Entre eles, o aumento da temperatura média global e a elevação do nível do mar. Complementarmente, a agência europeia de monitoramento climático registrou que 2024 se consolidou como o ano mais quente já registrado. Ou seja, superou o recorde estabelecido no ano anterior. A relevância do Plano Clima A relevância do plano é particularmente evidente diante do cenário nacional de riscos. Dados da plataforma Adapta Brasil , desenvolvida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, indicam que aproximadamente 2,6 mil cidades brasileiras, entre as 5, 5 mil listadas pelo IBGE, apresentam risco alto ou muito alto para desastres naturais. São eventos como secas, inundações e deslizamento de terras, além de impactos sobre a segurança alimentar. Esse panorama reforça a necessidade de políticas públicas integradas e territorialmente sensíveis. No âmbito internacional, o Brasil ocupa posição estratégica no debate climático. Isso se dá pela dimensão de seus biomas e pelo potencial de liderança na agenda de desenvolvimento sustentável. Desde os anos 1990, o país sediou eventos de grande magnitude, como a Rio 92, a Rio+20 e, recentemente, a COP 30. Assim, o Plano Clima representa um esforço relevante para os compromissos assumidos no Acordo de Paris. Demonstra ainda o alinhamento entre as estratégias nacionais e as metas internacionais de enfrentamento da crise climática. * Débora de Andrade Rodrigues Conselheira do IBESG; Mestre em Relações Internacionais e Pós-Graduada em Marketing Digital; Pesquisadora e palestrante com atuação para temas como desenvolvimento sustentável, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), conferências ambientais internacionais e educação ambiental e agenda ESG; Membro da Comissão de Estudo Especial Environmental, Social and Governance (ESG)- ABNT/CEE-256 com participação no Grupo de Trabalho (TF4 – Análise de Riscos e Oportunidades) Membro da ABNT/CEE-268 - Comissão de Estudo Especial de Cidades e Comunidades Sustentáveis.