por Ludmila Vilar* O Brasil encerrou 2025 com um marco expressivo para o turismo. O país recebeu 9,29 milhões de visitantes internacionais, 37% a mais do que em 2024 e recorde histórico , segundo a Embratur. Já neste ano, outra marca superada. No Carnaval, o avanço também foi significativo: 22% mais turistas, somando brasileiros e estrangeiros. Os dados consolidam a retomada do setor, mas impõem uma pergunta central à agenda ESG : como transformar crescimento acelerado em desenvolvimento responsável? É a partir dessa tensão que destacamos aqui entrevista com Fabiana Caricati para o IBESG Talks . Fundadora do Anavilhanas Jungle Lodge , ela conta como estruturou a hospitalidade sob parâmetros claros de sustentabilidade . Embora inserido em um contexto singular, o do Arquipélago de Anavilhanas, na Floresta Amazônica, o caso oferece aprendizados replicáveis em termos de governança, métricas verificáveis e visão de longo prazo. E isso vale para todo tipo de empreendimento desse mercado, do megaevento a agências de viagens, parques e hotéis. A experiência do Anavilhanas Jungle Lodge, demonstra que é possível estruturar hospitalidade com geração de renda local, conservação ambiental e controle de impactos . Turismo é atividade intensiva em território. Eventos de grande porte, como o Carnaval, ampliam receitas e visibilidade internacional, mas também pressionam infraestrutura urbana, sistemas de mobilidade, gestão de resíduos e recursos naturais. Em um país com alta biodiversidade e desigualdades regionais persistentes, crescimento sem governança pode gerar externalidades negativas relevantes. O primeiro reflexo percebido é o desempenho econômico . O problema começa quando esse dado é lido de maneira isolada ou considerado o mais importante. De acordo com o World Travel & Tourism Council (WTTC), o setor movimentou US$ 167,6 bilhões no Brasil em 2025 — o equivalente a 7,7% do PIB nacional — com impacto direto sobre emprego, renda e ocupação hoteleira. Em escala global, o turismo responde por cerca de 10% do PIB mundial. No Brasil, gira em torno de 8%. São indicadores robustos, mas incompletos quando analisados sem o recorte ambiental e social . O recorde de 2025 abre uma oportunidade estratégica. A consolidação de um turismo alinhado a critérios claros, comparáveis e auditáveis de sustentabilidade será determinante para que o setor evolua de vetor econômico conjuntural para ativo estruturante da agenda ESG no país. Para assistir a entrevista completa com Fabiana Caricati, clique aqui * Jornalista especializada em ESG, editora da Newsletter do IBESG e fundadora da Banca Comunicação